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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Presidente do BCP ofereceu-se aos EUA para espiar o Irão


O actual presidente do Millenium BCP, Carlos Santos Ferreira, propôs à embaixada dos EUA em Lisboa, “estabelecer uma relação com o Irão para ajudar o Governo dos EUA a rastrear fundos e actividades financeiras iranianas”, segundo divulgou neste domingo o site do jornal espanhol El Pais, a partir de telegramas tornados conhecidos pelo wikileaks.

Segundo o telegrama da embaixada dos EUA em Lisboa, em Abril de 2009 uma delegação do BCP composta por dois altos funcionários, José João Guilherme, membro do conselho de direcção, e Duarte Pita Ferraz, director da unidade de assuntos internacionais, visitou o Irão a convite da embaixada daquele país em Lisboa. A delegação teve reuniões com o Banco Central do Irão, sete bancos, a organização de investimento e assistência técnica do Irão e a embaixada portuguesa, e discutiram a possibilidade de fazer negócios sem violar as restrições da UE e as sanções da ONU ao Irão.

Dez meses depois, em Fevereiro deste ano, Santos Ferreira apresentou à conselheira política e económica da embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, que na altura estava sem embaixador, a proposta do BCP estabelecer negócios com o Irão e em troca espiar as finanças iranianas ao serviço do Governo norte-americano. Santos Ferreira propunha mesmo que as contas iranianas no BCP fossem controladas pelo Governo norte-americano, mediante um sistema satisfatório para o banco e para o governo dos EUA.

Santos Ferreira diz à embaixada dos EUA que informou José Sócrates, altos funcionários do Governo português e o governador do Banco de Portugal do interesse do Irão estabelecer uma relação com o Millenium BCP. A embaixada dos EUA conclui que, no mínimo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português está a par da proposta do banqueiro.

O telegrama da embaixada refere que poucas semanas antes da viagem da delegação do BCP, esteve em Teerão o embaixador Nuno Brito, do Ministério dos Negócios Estrangeiros português, que informou o vice-secretário de Estado norte-americano, William J. Burns, que Portugal não tem intenção de aprofundar as relações económicas com o Irão, ainda que “mantenha abertas as suas opções para futuros investimentos”.

O jornal espanhol refere que o BCP se negou a comentar o telegrama da embaixada dos EUA e lembra que Santos Ferreira foi presidente da CGD, tendo passado para o BCP na sequência do escândalo neste banco (relembre no esquerda.net: Promiscuidade entre política e negócios na luta pelo poder nos bancos e Relatório do BE sobre o Caso BCP). Lembra ainda que Santos Ferreira foi, no passado, deputado do PS e que o BCP foi de novo notícia com o escândalo Face Oculta, que envolveu Armando Vara, vice-presidente do banco.

O telegrama da embaixada norte-americana em Lisboa lembra ainda que Santos Ferreira já teve contactos com a embaixada iraniana em Lisboa no final dos anos 80, quando era presidente da Fundição de Oeiras, que vendeu “apetrechos militares ao Irão há mais de 20 anos”.

O El Pais lembra a propósito a relação não esclarecida entre a venda de armas ao Irão e o acidente de Camarate, em que faleceu Sá Carneiro.

Entretanto, o Bloco de Esquerda questiona o Banco de Portugal sobre a proposta do banqueiro à embaixada dos EUA.

O Bloco considera que a disponibilidade de Santos Ferreira, “junto do governo dos EUA violaria grosseiramente o dever de confidencialidade devido pelas instituições bancárias, podendo configurar crime, ao abrigo das disposições legais em vigor” e pergunta ao Banco de Portugal: se teve conhecimento “do interesse do BCP em negociar com instituições bancárias do Irão”; se teve conhecimento do BCP “em, subsequentemente, quebrar o dever legal de confidencialidade devido aos seus clientes” e, em caso afirmativo, “que resposta deu o Banco de Portugal”; e, por último, se o Banco de Portugal teve conhecimento “de iniciativas de teor semelhante, levadas a cabo pelo BCP ou outra instituição bancária sediada em Portugal”.
Fonte:esquerda.net

VERGONHA!!!!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sakineh condenada a mais 99 chicotadas


Segundo o filho da iraniana condenada à morte por lapidação, Sakineh foi agora condenada a mais 99 chicotadas, sob a acusação de aparecer numa foto sem lenço.
"Foi o advogado da minha mãe, Houtan Kian, que soube isto ontem (sexta-feira) por prisioneiras que foram libertadas", disse Sajjad Ashtiani, que acrescentou: "Ele entrou depois em contacto com o juiz independente da prisão, que confirmou a pena". A acusação é de ter propagado "a corrupção e a indecência"...

A foto apareceu no jornal britânico “The Times”, como sendo de Sakineh Ashtiani, mas segundo o jornalista franco-iraniano Armin Arefi de facto é de uma activista iraniana que vive na Suécia.
A condenação de Sakineh à morte por lapidação, entretanto suspensa, levou à realização de protestos, concentrações e manifestações em 100 cidades de todo o mundo, incluindo Lisboa. A campanha internacional prossegue, enquanto o regime iraniano diz que a sentença está suspensa, mas condena Sakineh a novas torturas.
Fonte:www.esquerda.net

VERGONHA!!!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Lisboa contra a Lapidação :: 28 de Agosto, 18H00


Um apedrejamento é sempre um acto vil. Seja onde for, seja porque for. É uma condenação à morte, deliberadamente cruel, dolorosa e humilhante.
No Irão, pelo menos 150 pessoas foram vítimas desta prática nos últimos 31 anos, sobretudo mulheres. E não vale a pena argumentar com diferenças culturais, porque, opiniões à parte, não consta que haja mulheres voluntariamente apedrejadas em nome da identidade religiosa. E mesmo se as houvesse, seria essa a linha absoluta entre respeito pela diversidade e respeito pela dignidade humana.
Perante uma mulher à espera do dia em que será enterrada até ao peito e bombardeada com pedras certeiras, enumerar todos os crimes de quem se diz inimigo do Irão não é um acto de clarividência política, é fechar os olhos a um crime. E um crime é um crime, seja ele cometido em Teerão, na faixa de Gaza ou em Guantanamo. Aliás, enquanto houver mulheres a morrer assim no Irão, Israel continuará a matar impunentemente na Palestina e no Líbano, e mais serão os que acham admissível bombardear populações civis e torturar presos anos a fio em prisões ilegais. É todo um círculo vicioso de morte, tortura e guerra, em que as vítimas são sempre quem menos contribuiu para o conflito. Como Sakineh Ashtiani e os outros 25 no corredor da morte de pedra no Irão.
Se é verdade que o silêncio não atira pedras, ele pode fazer-nos cúmplices. Ignorar o que vemos, ouvimos e lemos é sempre uma opção, escudada ou não em retóricas absurdas; mas podemos sempre fazer a nossa contra-intifada de indignação perante o sofrimento alheio. E não estamos sozinhos nisto. No próximo dia 28, Lisboa será uma das 100 cidades de todo o mundo contra a lapidação. Em vez de pedras contra pessoas indefesas, vamos atirar milhares de grãos de areia à engrenagem da tortura e da pena de morte. Já vimos que funciona.
Dia 28 de Agosto, às 18h00, no Largo de Camões. Passa a palavra!
Fonte:http://attacportugal.blogspot.com/2010/08/lisboa-contra-lapidacao-28-de-agosto.html

Contra a discriminação, contra o fascismo!
ANTIFA, sempre presentes!!