sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A NATO, a polícia, a Imprensa e o direito à desobediência

Com o aproximar do momento em que Lisboa será uma cidade sitiada para receber os senhores da guerra, as movimentações tornam-se mais claras.

Do lado dos contestatários, surgem as propostas mais concretas e aparecem as primeiras certezas sobre a Contra-Cimeira e a sua transmissão em Live Stream.

Do lado da organização, assiste-se ao esperado espectáculo da ameaça de violência, que evita as discussões sobre o que é a NATO e o que cá vem decidir, ao mesmo tempo que abre as portas a toda a repressão que se queira utilizar sobre todos os que não escolherem a contestação institucionalizada.

Não nos enganemos. A redução de toda a dissidência a uma horda de desordeiros desmiolados, que é aquilo que é apresentado como sendo o Black Bloc, pretende, acima de tudo, que a polícia tenha carta branca para fazer o que lhe apetecer. A tentativa de colagem da PAGAN a qualquer tipo de violência é quase subliminar mas insere-se neste mesmo espírito. O fantasma dos mil black blockers mais não é do que um passo necessário para a escalada da repressão, numa jogada que irá além da mera justificação do dispêndio de 5 milhões de euros em blindados, lançando diabólicas suspeitas sobre o mais inócuo cidadão que ouse criticar a NATO.

As autoridades pretendem também que qualquer movimento social se divida, que cada estratégia de luta condene as demais, de forma a que se esvaziem mutuamente. Nove anos depois do início da sangrenta invasão do Afeganistão, nas vésperas da aprovação dum conceito estratégico extremamente imperialista – em que, por exemplo, se passa a letra de lei a possibilidade de atacar militarmente qualquer parte do globo para impor os seus interesses económicos e se abre a porta à participação dos exércitos NATO em tarefas civis em caso de convulsão social –, esquecer que os representantes da violência estarão dentro do cordão de segurança e aceitar a discussão entre os “bons” e os “maus” manifestantes é um papel que não nos cabe a nós.

A nós, cabe dar notícia dos acontecimentos, não propriamente sobre o que se passará dentro de portas, já que não teremos acesso ao interior da cimeira, mas à esperada contestação de rua, cujas acções estão previstas a partir do dia 17. Haverá um ponto de encontro anunciado aqui, no Indymedia, que dará a conhecer as acções programadas e onde cada pessoa ou colectivo pode, diariamente, apresentar novas ideias de acção.

Por aqui, tentaremos ter gente a cobrir todas as acções e contamos ainda com a boa vontade de quem nos frequenta com relatos e análises próprias. Só assim poderemos contrariar a tendência criminalizadora de toda a contestação que o Estado deseja, a imprensa empresarial potencia e a polícia aplica.

Programa de festas (tal como o conhecemos)
17 a 20 – Acções de Rua
19 a 21 – Contra Cimeira
20 – Manifestação Paz Sim Nato Não

Posto de informações de semana de acção:
Rua do Salitre, 139 – 1º andar, Lisboa (abre a 17 de Novembro)

Contra Cimeira PAGAN / ICC
Liceu de Camões – Praça José Fontana, Lisboa

Entretanto, surgiu o apelo para uma flashmob pela Paz, já com data e hora marcada e um novo grupo que pretende levar contestação não violenta para as ruas de Lisboa


Fonte: http://pt.indymedia.org/

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